Um belo dia decidi mudar

... e partir para um endereço novo, ter um lar mais bonito, uma vida mais prática. Agora estou aqui:

http://marciort.wordpress.com

Bye UOL. You are uó.



Escrito por M. às 06:00 PM
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Sun is shining

A semana veio sem insônia, feito presente, saudável, quase livre de cafeína. Bem no meio dela, a quarta-feira brilhou desde cedo em manhã de folga ensolarada. E como de bobo eu já não tenho mais nada, depois do meu café da manhã segui feliz rumo ao parque do Ibirapuera e sua pista de corrida. Mesmo que em Sampa o céu azul esconda sua dose de poluição, nesses momentos a vida lá fora estimula mais que a esteira da academia.

Antes de me mudar para Sydney eu completava três voltas pelo lado externo do parque em ritmo decente. Hoje em dia termino finalizo duas voltas e meia na pista interna terminando exausto. Um ano de treino aeróbico irregular dá nisso. Mas enfim... ritmo recupera-se, e é com esse objetivo tenho calçado os tênis de corrida.

Depois do alongamento e da água de coco, deitei na grama e troquei esse playlist por esse. Fotossíntese relaxante de olhos fechados.



Escrito por M. às 09:08 PM
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Cabelo ruim

Eslovaco. Irlandês. Italiana. Alemã. Cingalês. Jordaniano.

 

Em momentos diversos, foram essas as nacionalidades com as quais convivi sob o mesmo teto em Sydney. A única constante durante todo o período foi a franco-egípcia, que antes de chegar à Austrália estudou na França e na Alemanha e trabalhou na Etiópia. Sabrina. Amiga querida com quem me joguei, ri, chorei, discuti... mas que hoje voltou a mente por um motivo específico.

 

Hoje ouvi uma comparação besta sobre “cabelo ruim” e “cabelo bom”. O assunto nem me dizia respeito, e esse tipo de comentário nem é novidade, mas fiquei espantado de uma maneira que talvez um ano atrás não ficasse. Não sei se essas expressões me afetariam da mesma forma antes, mas agora chocaram. Causaram espanto principalmente por virem de gente mestiça e não de loiras de olhos azuis.

 

Basta ter meia dúzia de fenótipos recessivos para se achar mais gente que alguém? Ridículo, mas aqui no Brasil infelizmente parece que sim. Coisa sintomática de um sistema de castas informal e subdesenvolvido onde quem tem um olho é rei. Racismozinho esnobe de pensamento condicionado que dá pena tamanha a limitação. Triste.

 

Eu nem retruquei pois me senti pego de surpresa. Deu vontade, mesmo o papo não sendo comigo. De todo jeito, se uma resposta cruzada ia mudar algo, não sei.

 

Sei que lembrei da Sabrina e isso me deu um sopro de ar limpo. Amiga inteligente e culta, nascida com um pé na Europa e outro no norte da África, quase australiana, poliglota e uma enciclopédia sobre islamismo e catolicismo. Uma das pessoas mais desprovida de preconceitos que eu conheço, até ter sede de conhecimento e saber que preconceitos nascem na ignorância.

 

Pensei nas histórias que ela me contou sobre suas viagens pela África. Visualizei a miséria e o abandono que ela descreveu assim como os sorrisos, a receptividade e a beleza na cor da pele e na cultura ancestral dos povos que ela visitou. Certa noite, enquanto tomávamos café no terraço do apartamento sob noite estrelada, era difícil decidir se eu me sentia mais arrebatado pela paixão que ela demonstrava pelo assunto ou pela rica descrição de penteados típicos, tecidos coloridos e danças tradicionais.

 

Se não abri a boca para discordar do comentário estúpido de hoje, ao menos me senti motivado a sentar e colocar isso em texto. Para lembrar que sim, dá para ser diferente.

 

Se ao menos elas imaginassem...



Escrito por M. às 05:20 AM
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Nem azul, nem cor de rosa

Também aqui.



Escrito por M. às 02:34 AM
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Presente

“Quando leio seus emails, tenho a sensação de que você está flutuando, olhando o mundo com sabedoria, compreendendo como o ser humano funciona e aceitando as pessoas como elas são, sem preconceitos.”

 

Ao abrir meu Outlook e me deparar com uma mensagem que começa dessa forma, ganhei o dia. Pensei em como é lindo poder despertar em alguém querido uma percepção dessas, e como seria bom se no fundo eu já fosse tão maduro e belo assim.

 

É nesse sentido que eu espero caminhar e é isso que eu quero carregar na minha essência. Lá dentro, por baixo das roupas, do hype, detrás de qualquer arrogância e de todas futilidades, é o que quero encontrar. É o que importa.



Escrito por M. às 03:30 AM
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Just like raindrops

Enquanto eu não organizo tudo o que eu (não) anotei durante a minha trip pela Tailândia, falo de outros assuntos.

Parti desse ponto um ano atrás e há duas semanas fechei o ciclo, voltei ao Brasil. Esses primeiros momentos aqui serviram para matar as saudades de muita gente, reativar alguns contatos, me jogar nas minhas pistas favoritas e curtir quem eu amo. Estou de volta e pronto para mais. Mais São Paulo, mais Brasil e tudo o que se anuncia nos horizontes, sejam eles profissionais ou pessoais. Que as luas de mel durem muito mais.

Para sonorizar esse momento cito uma música que descobri essa semana, postada no ótimo blog de um amigo. Trilha de hoje, afinal a vontade é de seguir curtindo esse momento e olhando para frente. Trata-se de Raindrops, primeiro single do novo trabalho do Basement Jaxx. Segundo o amigo insider da indústria, o álbum conta com aparições de Grace Jones, Cyndi Lauper, Sam Sparro, Yoko Ono, Yo Majesty! e Santogold. Só?

Doido para conferir.



Escrito por Marcio às 03:44 AM
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Empire of the sound

Hoje um amigo me escreveu perguntando sobre o tamanho do Sneaky Sound System aqui na Austrália, e ao responder acabei citando metade da cena local recente. Cut Copy, Presets, PNAU, Miami Horror, Van She Tech, Empire of The Sun... petardos de musicalidade aussie que deixarão boas e saudosas lembranças quando eu partir.

Ainda que Sampa ofereça deliciosos oasis sonoros (acredito que D.Edge, Glória, CB e afins continuem firmes!), a diferença nas proporções é visível. O synth-pop está para Sydney como o axé está para a Bahia. Aqui, em qualquer pub fuleiro pelo qual se passa no fim da noite quando tudo mais já fechou, você é brindado com trilha sonora de primeira.

Paradoxal, afinal a vida noturna não é lá tudo isso, a cultura de clubs é bem pequena. Nos bons festivais de verão (o V rolou ontem... mas não pude conferir) é que essas bandas encontram a projeção merecida.



Escrito por Marcio às 12:58 PM
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Brasilidades

Ainda que distante, sempre rola ler e acompanhar um pouco do que acontece no cotidiano do Brasil. Nessas, vendo um pouco da repercussão do novo round do caso da Daslu com a Polícia Federal, encontrei um textinho ótimo que cita Nietzche e resume bastante do que penso sobre o assunto.



Escrito por Marcio às 12:53 PM
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Moving on

Dentro de duas semanas em Phuket, dentro de três em Bangkok, dentro de quatro em Sampa, fechando assim a temporada nesse lado do globo.

Vim para cá por diversas razões, mas principalmente por querer mais. Mais experiências, mais horizontes, contato com diferentes culturas, ver gente que nunca veria de outra forma, encontrar-me em lugares inesperados. Desde que entendi que o mínimo que eu mereço é o máximo da vida isso é o que tenho buscado (e encontrado).

Certa vez uma amiga disse que ao sair do Brasil preferiu viver em Londres pois qualquer destino ensolarado seria mais do mesmo. Comigo ocorreu o oposto. Sempre fui urbano, nascido e criado em Sampa, viciado na sua vida acelerada. Para mim, experimentar o novo seria viver em uma cidade mais easy going. Nada de lugares que conheço (e amo) como Nova Ioque ou Amsterdam, mas sim algo litorâneo, relaxado, diurno.

Minha relação com Sydney foi/é intensa. Como esperava, desde o ínicio fiquei encantado pela plasticidade de tudo. Pessoas, prédios, geografia, conjunto de beleza arrebatadora. Amei as ruas limpas, a praia sempre próxima, os amigos inusitados que conheci vindos das mais diversas partes do mundo. Adorei rodar o país dando uma de mochileiro, fosse acompanhado de amigos ou apenas de um livro e um iPod.

Ao mesmo tempo, diferente do que imaginei, em muitos pontos a maior cidade da Austrália me pareceu pequena, parada demais para mim. Um punhado de vezes me senti sufocado ao ver todo comércio fechar às cinco da tarde e ao constatar que mesmo o mercado publicitário daqui vive em outro ritmo. Apesar da cena eletrônica local influenciar o que rola nas pistas mundo afora me deparei com uma vida noturna mais fraca e menos estruturada que a de Sampa. Isso fora o clima de extremos daqui, indo de um inverno muito chuvoso e geladíssimo até um verão com picos de 47 graus.

Contudo, no fim deu para me divertir e crescer. Os horizontes marqueteiros se ampliaram, assim como o inglês. Aprendi a dividir apartamento, viver sem empregada, cuidar das minhas contas e relembrei os tempos de Argentina ao ter que lidar com a saudade de casa.

So far that’s it. Absorvi tudo o que podia/queria/consegui dessa experiência e agora é hora de ir em frente. Tempo de zapear pela Ásia em destinos que me enchem de curiosidade e ao fim de tudo, aterrissar na minha São Paulo. Pode parecer paradoxal seguir em frente retornando ao ponto de partida, mas a real é que um olhar renovado muda todo cenário.



Escrito por Marcio às 11:24 AM
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Trilha

Zapeando por blogs de música recentemente, encontrei o primeiro single do álbum de estréia do Daniel Merriweather. Mais um protegido do Mark Ronson mandando ótimas sonoridades para meus ouvidos. Achava que sim, mas... não: ainda não enjoei dessa linha retrô cool.

Daniel Merriweather feat. Wale : Change



Escrito por Marcio às 03:12 PM
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"Al final, de lo único que te vas a acordar, es de las cosas buenas."

O blog deu pau no começo do ano. Eu não conseguia abrir a interface para postar de forma alguma, em nenhum navegador. Fiquei irritado, pensei em migrar o conteúdo para o blogger, não encontrei jeito, acabei deixando minhas divagações online em standby. Andava ocupado com o mundo offline mesmo. Fiz um tour pela costa leste, mudei de subject no curso de marketing, fiz tattoo nova e mais um punhado de coisas que adoraria comentar com mais detalhes se o timming não tivesse passado.

Enfim, uns meses e muitos textos engavetados depois, resolvi passar aqui outra vez e... surpresa! A página voltou aos eixos. Seja como for e pela razão que for, fato é que agora funciona. E assim, no calor da novidade, vou dar mais uma chance ao UOL e atualizar isso aqui, tirando a poeira do blog.

Reativando com sorriso no rosto diante do vídeo fofo que a amiga Lú Iódice me apresentou via twitter. Comercial da Coca-Cola desenvolvido pela McCann-Erickson de Madri.

 



Escrito por Marcio às 12:55 PM
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Insone

Deveria estar dormindo. Não estou. Mas isso não muda o fato de que são mais de quatro da manhã e dentro de poucas horas eu estarei no trabalho.

Até onde me recordo sou assim, desordenado mesmo quando mais disciplinado, vivendo dias de par em par como cantava o Cazuza. Não necessariamente por uma vida de excessos feito a dele, mas frequentemente pela insônia. Virando a noite hoje, balanceando essas horas acordado com cochilos esparsos no dia seguinte. Como nos últimos tempos de Brasil, quando a correria na vida profissional seguia lado a lado com a vontade de badalar e a rotina de malhação. Nessas, por vezes dormia dentro do carro entre uma coisa e outra. Parte da agenda apertada que não me incomodava, achava até divertido, cool. 

Falando com você dia desses no messenger, porém, lembrei que ao seu lado a história é diferente. Com você eu durmo bem, na hora certa (que não necessariamente é cedo), acordo bem. E pensando nisso, durante essa madrugada distante e insone, fica visível que as noites em claro continuam não sendo um problema. Também não é problema saber que para elas existe uma solução, que me faz bem de formas inesperadas, suprindo necessidades que não existiam. O problema é segurar a ansiedade de descobrir tudo mais que essa solução pode trazer para minha vida.

Ansiedade dá insônia, sabia?



Escrito por Marcio às 03:39 PM
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Retrovisor

Definitivamente não farei relatórios do ano que acaba. Nada de pesar a mão nas reflexões e listar projetos para 2009. Mesmo porque de cada ano que começa eu continuo esperando a mesma coisa: o período mais incrível so far.

A única mini-retrospectiva cabível é a das sonoridades de 2008,  'cause music is a hot hot sex. Segue abaixo em ordem aleatória.

Cut Copy - Lights & Music (Moulinex Remix) 
Trilha indie australiana para as despedidas pré-Austrália no começo do ano. Be my baby one more time.

Duffy - Ready For The Floor (Hot Chip Cover)
Clap, clap, clap! Ah se todos os covers fossem assim.

Hot Chip - One Pure Thought (Kwes Rework)
Outra faixa da banda por aqui. Se desde que apareceram eles tornaram-se ítem obrigatório, como evitar citá-los?

The Hours - See The Light (Calvin Harris Remix)

Ítem mais recente da lista que eu fiz questão de espalhar para os amigos por MSN. House pop pra chacoalhar sorrindo na pista.

Jamelia - Something About You
Momento cafoninha-romântico. Afinal, apesar dos poréns (e nós sabemos quais são), esse ano mereceu um.

Kings of Leon - Use Somebody
Já ouviu o Caleb cantar? Já viu o Caleb cantar?


Kanye West - Street Lights
Mr. West só faz melhorar a cada trabalho. Pus essa faixa mas poderia ser qualquer outra dele. Música triste e maravilhosa, como quase todo o álbum novo.

Oasis - Outta Time
O Liam escreveu uma faixa (surpresa 1)! E ela é boa (surpresa 2)!

Marcelo D2 - A Arte do Barulho 
Com o CSS lançando um álbum não tão interessante, o novo do D2 virou meu tópico brazuca na lista desse ano. Rap, samba e funk. Três, de uma vez só, sem tirar.

Santogold - I'm A Lady (Diplo Mix feat Amanda Blank)
Nesse mix do Diplo a Santogold soa bem como nunca. RnB estiloso, comedown melancólico, excelente.

Sia - Buttons (CSS Mix)
E no fim das contas  não é que tem CSS na lista? Eles (quer dizer... o Adriano Cintra), deixaram a faixa menos pop e mais pista, meio Annie, meio Let's Make Love, inteira boa.

Finalizando, um apêndice com momentos musicais atemporais que rolaram.

All Night Long do Lionel Richie tocando na festa pós-desfile da Chanel com o staff bebendo champagne e praticamente subindo nas pickups.

Remix do Van She
para Something Good do Utah Saints causando no Parklife Festival.

Sabrina, a amiga egípcia, cantando todos os dias, em todos os cantos, durante duas semanas, Re-Batucada do D2.

Hedonism
do Skunk Anansie. Música velha que, ironicamente, me faz lembrar do amigo querido que partiu esse ano.

Feels Like Home
by Meck. O video passa sempre na academia e tem o mesmo sampler usado pela Madonna na versão-turnê de Like a Prayer. Pra malhar no gás.

A Change Is Gonna Come
, a trilha do Obama, na dica da Páte. Sam Cooke visceral.



Escrito por Marcio às 01:57 AM
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Mais ao sul (adendo)

Apesar de incluir o rolé do segundo dia pela Great Ocean Road nas minhas anotações sobre Melbourne, a real é que essa região fica relativamente afastada da cidade, pedindo algumas horas no carro. O tour toma no mínimo um dia inteiro, mas a estrada que margeia a costa e corta pequenos povoados é maravilhosa, must-see total.

Fizemos o primeiro stop desse passeio em Bells Beach, 100km ao sul da capital. A praia, cujas ondas ganharam fama por constar como uma das etapas do WCT, costuma ter ondas razoáveis. No entanto, quem tiver a minha sorte encontra um mar flat feito lagoa, inadequado até ao imaginário surfístico-iniciante. Independente disso, vale a vista. As areias praticamente desertas cercadas por uma parede de rocha vermelhada compoem uma bela paisagem.

De volta ao asfalto e seguido adiante passamos ainda por Cape Otway, a região do país que mais se aproxima do polo sul. Gelada de verdade, mesmo no meio da tarde e com o sol alto. Um farol solitário cercado de poucas casas se destaca na paisagem. Lembra as fotos da Terra do Fogo que via na Argentina quando morei lá. Algo melancólico.

Mais adiante na Great-marvellous-giant-Ocean-Road, atingimos o destino do tour. Arrebatadora, a beleza da região mais rochosa do caminho não se parece com nada que eu já tenha visto antes. Uma imensa parede de pedra encontra o mar, seguindo pelo horizonte até se fundir com o céu. Nesse trecho da costa ficam os 12 apóstolos (ficavam... pra ser mais exato hoje só existem oito). O nome refere-se às grandes rochas soltas no meio do mar, pedaços das falésias que com a erosão se separaram do resto. Grandes totens avermelhados. Um tour de helicóptero, curto mas super-super, coroou a visita antes do entardecer. Incrível.



Escrito por Marcio às 04:09 PM
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South Side

Amei minha trip por Melbourne e arredores! Não contei aqui? Andei para baixo e para cima por cinco dias acompanhado da amiga cujo calo no pé deve me rogar praga até hoje.

Melbourne é ampla. A primeira impressão é de que tudo é grande, limpo, espaçoso. As ruas são enormes de largas com lugar para onibus, bonde, carro, pedestre, bicicleta e o que mais aparecer. Os bondes aliás são outro diferencial que notei logo de cara, eles não existem em Sydney. Na aparência, espelham o que acontece com a arquitetura da região central. Velho e novo lado a lado. Era comum pegar um vagão novo em folha para ir a um lugar e na volta ser transportado por outro muito antigo (mas super bem conservado).

Mesmo no meio do verão o clima é meio frio, com as manhas geladas e a temperatura subindo gradativamente durante o dia. Eu acordava agradecendo aos céus o edredom enorme que me cobria e pensava comigo que naquela cidade até kebab shop deve ter calefação no inverno. Depois o sol subia e eu esquecia tudo, claro.

Dizem que Melbourne está para Sydney como NY para LA. Como exemplificou um local que puxou papo numa cafeteria: Sydney é mais cênica, mas Melbourne é mais cultural, efervescente, pulsante. Até onde pude conferir fez um certo sentido. A cidade é cheia de museus e exposições, há esculturas em todo canto e intervenções artísticas mesmo em pequenos detalhes. Como numa praça fora da região central onde os inumeros tijolinhos que compunham o piso tinham desenhos e mensagens de crianças.

Passei por essa praça quando seguíamos rumo à Smith Street. A visita rolou sem muitas expectativas, chegamos apenas procurando por uma loja... e encontrando muito mais. Não li a respeito, mas a rua tem cara daquelas áreas decadentes que passaram por uma revitalização recente. Mistura de cafés estilosos, lojas conceituais (qualquer conceito... arte pop, produtos naturais, peças aborígenes, etc), brechós e outlets. Tudo em casarões antigos, dentro do que cabe ser antigo na Austrália. Bem boa.

 

Sobre a vida noturna eu fecho a boca e não digo nada. Não pra esconder o ouro, mas pelo foco da trip. Preferi o dia e o sol, acordando sempre por volta das 7 da manhã. Não sobrava pique para jogações noturnas. Mas diz que bomba.

O CBD é a área mais urbana de Melbourne e fica longe do mar, mas gastando 20 minutos no bondinho chega-se a Saint Kilda, roteiro que fizemos a pé por minha insistência (falei do calo no pé da amiga?). A praia tem uma infra ótima, com um calçadão de madeira lindo que se entorta e abre em níveis diferentes e em certo ponto vira até um ralf para skate. Num complexo a beira mar fica um bar-balada cool onde tomei uma breja e babei pela academia do segundo piso. Que tal correr em esteiras viradas para o oceano, vendo o sol se por no mar? Adoro. E adoro também apreciar a vista dando uns goles na minha Heineken, diante do sol que se despede no mar. Visão que sempre me encanta, talvez por isso ser raro na costa atlântica do Brasil.

O que é mais cool que por do sol no mar, arte aborígene e amplitude urbana, porém, é algo de outra ordem. Para mim e para a Ranni (minha trip partner), o hype da viagem foram as pessoas. Capital humano. Gente muito educada, muito simpática, muito hospitaleira. Da vendedora que deu doces de presente para ela ao senhor que trabalha na estação onde fomos parar ao tomar o trem errado, só pessoas queridas cruzaram o nosso caminho.

Lovely Melbourne.



Escrito por Marcio às 04:04 PM
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See you're, unbreakable, unmistakable, highly capable...

Esses dias ouvi Hey Mama do Kanye West e lembrei de uma pessoa importantíssima na minha vida, que hoje me acordou com um telefonema fofo. Ligou para contar do presente de Natal que me mandou e para agradecer o Cartão de Boas Festas que recebeu.

 

Saudades imensas.



Escrito por Marcio às 01:15 AM
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Peixe grande

Há a possibilidade de se contentar. De, diante das adversidades, acreditar que a vida é assim. Seguir fluxos, reclamar da falta de perspectivas.

 

Existem, afinal, possíveis justificativas. A chuva lá fora, o cansaço depois de um dia longo, a falta de tempo. Há também a desculpa baseada na compensação. Partindo de uma lógica onde dá para dizer que tal ponto é deixado de lado pois o foco no momento é outro, afinal a realidade é feita de prioridades.

 

Mas por que não transcender os conceitos medianos? Será pretensão querer tudo o que há de melhor? É devaneio querer uma carreira bem sucedida E um abdomem tricado E um relacionamento adulto e apaixonado E amizades incríveis E embasamento cultural E jogação-stage-dive, em momentos hedonistas e consumistas quando a excessão se faz válida E conhecer o mundo E ser espiritualizado E ser politizado E muitas outras possibilidades ainda a serem adicionadas à lista?

 

Não. Não quando se faz por merecer, correndo atrás, batendo o pé e lutando. Não para quem considera descabido se contentar com menos do que aquilo que cabe nos próprios sonhos. Nos meus cabe muito. E ainda que a equação nunca se feche com perfeição suprema eu sei que dá para tentar chegar perto. É para lá que eu vou.



Escrito por Marcio às 02:39 PM
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Australia

Nic e Hugh, dia desses, pertinho de casa



Escrito por Marcio às 12:26 AM
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A cidade

No terraço do sexto andar do prédio em Bondi Junction, ao ar livre, deu para ver boa parte da cidade. O alaranjado do fim do dia refletido nos prédios do centro, a ponte, a torre, a região norte se misturando com o horizonte e a imensidão de áreas verdes. Parado ali naquele terraço, embasbacado com a vista, eu me lembrei de como Sydney é linda. Seja do balcão para fora, no skyline de cartão postal... ou do balcão para dentro, onde a academia seguia qualitativamente lotada num final de domingo.

 

Minha irmã diz que ainda falta uma eternidade para que eu volte ao Brasil. Quando penso que essa trip já passou da metade eu sinto o contrário.

 

Saudades antecipadas.



Escrito por Marcio às 02:08 PM
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Amém

Assim como os seguidores de algumas religiões, conheço pessoas que acreditam em mortos em uma dimensão intermediária, espíritos confusos sofrendo em estado de transição. Acho justo (o credo, não o sofrimento). Acho inclusive válido, pois apesar de não cogitar nada disso eu acredito em um mundo com liberdade de crenças, escolhas, expressões.

 

Só digo uma coisa.

 

Não me cutuque dizendo que a alma de uma pessoa querida encontra-se nesse estado pedindo pela minha ajuda. Porque no fim da tarde, quando eu estou correndo ao redor do Wentworth Park sentindo o vento no rosto, eu repentinamente me pego pensando no assunto. E nessa hora eu não fico revoltado nem triste. Apenas cogito comigo mesmo se não deveria deixar um texto da boa conduta para ser usado por pessoas próximas quando eu morrer. Nele eu gastaria uma linha lembrando que jamais esperassem recados meus do além. Dentro do que eu imagino, quando essa história terminar eu ainda existirei espalhado por aí. Serei um pouco terra, ar, água e vazio. E enquanto algum desses elementos existir eu também existirei.

 

A minha forma de ajudar um amigo que partiu é regar as plantas do jardim. Ele considerava a natureza um bem supremo e nisso seguimos em acordo.



Escrito por Marcio às 01:29 PM
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Online

Resisti por um tempo mas a curiosidade ganhou. Bora desvendar qual a graça e o hype do Twitter.



Escrito por Marcio às 11:30 AM
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Soletrando

Dia desses estava em Bondi voltando da praia e resolvi tomar um café em uma livraria-sebo cool, cheia de coisinhas interessantes. Entrei de olho em um capuccino e nessas acabei perdendo (investindo!) uma hora e meia xeretando prateleiras, pesquisando e folheando achados. Ao sair, a minha sacola incluía três novidades:

 

- Dharma Bums: não é dos mais bem recebidos livros do Kerouac, mas é um Kerouac. Então como não achei Visions of Cody (que até hoje não tem tradução para o português), resolvi arriscar.

 

- Pirate’s Dillema: li umas resenhas na net e me interessei. Qual o impacto da cultura jovem (blogs, remix, gadgets, hip-hop, mainstream, underground) no capitalismo? Maiores detalhes depois.

 

- Like an Icon: outra biografia da Madonna. Tá aí, esses dias disse para uma amiga que não coleciono nada “exceto histórias-na-memória-ao-caminhar-para-casa-com-o-dia-clareando”. Mas não é verdade completa. Coleciono biografias da Madonna. Mais até do que álbuns, já que CD é coisa datada e Hard Candy é uma porcaria mesmo.



Escrito por Marcio às 04:49 PM
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Uma tarde na China

Durante algum tempo esteve espalhada por muitos backlights cidade afora uma peça simples (e linda) anunciando a exposição The Lost Buddhas, que rolou até o começo desse mês na Art Gallery of NSW. Na imagem, um Buda milenar de pedra sorria ao convidar quem passava para mergulhar na arte da China de outros tempos. Fisgou a minha atenção, tendo o convite aceito em um dos últimos dias de sua estadia na cidade.

 

Budisticamente simples, a mostra era pequena, distribuída em uma área toda pintada de preto bem no centro da galeria dedicada a arte asiática, que por sua vez fica dentro de um dos muitos setores de um prédio incrível (por si só merecedor da visita). Cronologicamente espalhados na camara escura, os Budas não sofriam a interferência de cores nem de flashes, proibidos. Proibição que eu burlei, num misto de cara de pau e discrição.

 

(Lost and forbidden)

 

Um ícone, representações diversas. Das estátuas maciças, economicas até nos traços do rosto às ornamentadas, coloridas, remetendo dinastias e períodos diferentes. Achei interessante notar esculturas longilíneas, leves. Lembrariam alguns bustos gregos não fossem os olhos rasgados, os ornamentos da cabeça e a posição das mãos em mudra. Muitas delas tinham aos pés bases em forma de flor de lótus, detalhe que parece ter sido constante nas esculturas da época e que eu desconhecia.

 

Para sair inspirado, com a mente em algum ponto entre China, Laos, Vietnam, Tibet (que para mim ainda é um país sim!). Mais vontade de trips pela Asia.

 

Link e imagens da exposição aqui.



Escrito por Marcio às 03:57 PM
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The Killers - Human (reload)

Em 2005 Mr. Stuart Price complementava o som maneiro do Killers com remixes arrasa quarteirão. Hoje ele salva uma faixa ruim da absoluta irrelevância.

 

Assim sendo, damos sequência ao assunto de uns posts atrás e mostramos aqui como pegar uma porcaria retrô-cafona e transformá-la em um synthpop (também retrô) bom. Nenhuma obra prima, mas uma faixa ok. Considerando-se o material de base, "é o que tem para hoje".

  

PS: Versões mais viajantes by Ferry Corsten e Armin Van Buuren também está na rede.

 

 

Update: Stuart-Jacques-Lu-Cont-Price também voltou a trabalhar com a Madonna e fez um remix legalzinho para Miles Away.



Escrito por Marcio às 04:21 PM
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Um cartão em 09/11



Escrito por Marcio às 07:18 AM
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Cafonice

 

Em maiores ou menores doses ela gosta de dar as caras nos momentos de boa carga sentimental. Pelo menos na minha memória, surgem pouquíssimas cenas dramáticas chiques.

 

Às vezes vem com tudo. Faz a Maria do Bairro e traz ares de novela mexicana, ofusca qualquer virtuosismo da situação. Em outros dias, porém, marca presença dando uma pincelada mais forte de cor, sem soterrar a sinceridade do momento. Sem maiores danos.

 

Cafonice: hoje, presente.

 

Ao ler as palavras da filha do Martin Luther King sobre a vitória do Obama, me (re)admirei com o peso simbólico de um democrata negro governar a América. Há quarenta anos um sonho, poucas semanas atrás uma possibilidade, agora um fato.

 

Mais que o discurso do novo presidente, as palavras dessa mulher me fizeram sorrir. Cafonamente, gastei uns minutos pensando que a humanidade evolui e desejei que os próximos quatro anos façam jus a esse instante.

 

Ponderções

 

Não sei se essa data será lembrada de forma  tão marcante quanto escreveu o Sérgio Dávila no seu blog. Lá, ele arrisca um futuro “onde você estava quando...” tão fácil de responder quanto o que ocorre quando se fala dos atentados de 11 de setembro.

 

Pode ser (especialmente para os eleitores norte-americanos).

 

Para assegurar a minha parte, relembro agora dos detalhes. Estava com a amiga soteropolitana fazendo pesquisas em uma agência de viagens dentro do Queen Victoria Building quando o atendente virou-se para a funcionária ao lado e falou: Obama is the president. Alegria geral.



Escrito por Marcio às 11:06 AM
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Deu no New York Times...

… e no blog da Ilustrada.

 

Nick Hornby, o autor pop de livros cheios de referências musicais, cujos textos de tempos em tempos tornam-se filmes divertidos (vide Alta Fidelidade), colocou o remix de I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance With You feito pelos cariocas do The Twelves no seu top list de 2008.

 

Sucesso merecido. É verdade que já enjoei um pouco da faixa citada, mas por outro lado ando adorando as produções originais do duo, descobertas depois da entrevista publicada no Rraurl. Som que vai do electro ao pop estiloso em um segundo, mantendo quase sempre uma vibe alegre e desencanada. Dá para ter uma idéia aqui.

 

Trilha

The Twelves . When You Talk



Escrito por Marcio às 11:27 AM
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Você

Hoje à noite estava chegando em casa e lembrei daquela expressão. Talvez você não saiba exatamente a que eu me refiro, mas eu explico. Estavamos na sala do seu flat antigo no meio de qualquer assunto quando eu olhei nos seus olhos bem de perto e mudei o subject. Comentei que eles eram verdes, mas ao mesmo tempo tinham umas partes azuladas. Instantaneamente você corou e se desconcertou... sem graça, desviou o olhar... e em seguida me encarou novamente, respondendo que não sabia.

Eu sei.



Escrito por Marcio às 11:42 PM
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Atrasaaaado: Post sobre o Parflike!

No festival gringo. For the very first time.

Situando:

Depois de uma semana de calor e sol a expectativa era de que o primeiro domingo sob horário de verão bombasse no clima tropical ... Nessas, quem imaginou que Saint Peter fecharia a cara e o dia amanheceria nubladíssimo? Ao menos não choveu. E eu, que acordei atrasado pois esqueci de adiantar o relógio, tentei malhar antes de ir ao chill-in. Rolou e não rolou. Foi aquele treino meia boca de quem viu que não dava mesmo tempo de ir à academia e "treinou" em casa.

Já na rua, ainda atrasado, pulei na frente do primeiro taxi. E enquanto rumava para o esquenta em Darlinghurst, me redimi antecipadamente da culpa pelas atrações perdidas, coisa certa em qualquer grande festival. Se o lineup é tudo de bom, certeza que alguns DJset incríveis caem no mesmo horário, que umas atrações top dessa tenda começam a se apresentar antes que aquelas que você gostaria de conferir láaaa do outro lado do parque cheguem ao meio... Ok! Viver (festivais) é saber lidar com perdas.

Encontrando o amigo gringo chego ao chill-in, que... bem, quase não merece ser mencionado. Foi só um pit-stop rápido num apê estiloso para encontrar uma galera fervida mas desconhecida (para mim). De lá seguimos em grupo para o Parklife em si, pertinho. A pé não andamos nem 15 minutos.

Estrutura:

Chegando próximo do Moore Park fui admirando a paisagem, a flora, a fauna (hehe)... e quando vi ja estava no caixa do bar! Organização decente é isso. Tudo sossegado a ponto de você nem lembrar se teve fila ou revista no portão (teve).

Parque lindo, bem sinalizado, tendas decoradas na medida certa, NADA de letreiros giga de patrocinadores a cada passo. Soundsystem de presença. No dia inteiro apenas uma vez achei defeito, leve, nos graves do Soulwax brevemente estourados.

Som:

Soulwax e 2 Many DJs são a mesma coisa, mas são completamente diferentes. São iguais pois são os mesmos artistas. São diferentes por todo o resto. O primeiro nome é uma banda, tocando ao vivo as porradas de criação própria (o que era aquela bateria!!). O segundo é o DJset, onde apresentam todos aqueles remixes absurdos que fazem em cima das faixas alheias e recortes mil de outras sonoridades. Em ambos os casos... Incrível.

(Soulwax... pra que menos?)

(2 Many DJs abrindo o set com novo mix de Hey Boy, Hey Girl)

Ouvi o Diplo tocando pela terceira vez na vida. Foi bom e o povo delirou, mas na minha opinião o set deixou a dever comparado às noites em que vi o rapaz levando as pistas do Glória e do Vegas abaixo. O que foi a abertura daquele set na igrejinha do Bexiga com o mix próprio de Staring at The Sun... Senti um pouco de falta do batidão Funk + Miami Bass (aqui não rolou nada disso) e gostei menos dos remixes recentes dele. Mas alguns artifícios continuam presentes e funcionando, como soltar no momento certo umas velharias 80's inesperadas mas contextualizadas, que caem super bem (dessa vez teve Down Under do Men At Work e e um re-edit de Love is In The Air do John Paul Young).

A Peaches é rocker. E poser. Faz a sexual-agressiva, tipo uma Madonna punk nos early years. Peaches berra, pula, tira a roupa e mostra uma lampadinha piscando em cima da xoxota, diz que está piscando para a platéia. Dava para perceber que muita gente não era exatamente fã, estava esperando ela terminar para prestigiar 2 Many DJs. Mas bastante gente pareceu gostar também. Achei divertido.

Ajax: Conferi só um pedacinho. Foi pesado, foi cool, foi electro, foi maximal. E só.

Ouvi bem mais coisas, mas em certos momentos estava meio trilili e não assimilei, só dancei.

Particularidades:

- Jogação pesada combina com festivais, mas anda combinando menos comigo. A despeito da frase acima, peguei leve.

- Passar o dia inteiro num festival desses com um amigo e um monte de desconhecidos é diferente de curtir um dia assim ao lado da própria turma, falando a própria língua. Faz diferença.

- Depois ainda tinha festinha-after no clube Home, balada linda com vista para a Darling Harbour. VIP disponível mas politely declined. O corpo pedia casa, comida e cama.



Escrito por Marcio às 01:09 AM
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Futuros possíveis

Resolveu mudar de ares. Outra vez. Chamou o chefe de canto e avisou que estava pedindo as contas. Alegou razões pessoais, sem se aprofundar muito. Não vinha ao caso. Comprometeu-se (iniciativa própria) a cumprir um breve período de aviso prévio, mas sentiu-se navegando por novos mares a partir daquele instante.

O futuro? Incerto. Não tinha os próximos passos absolutamente traçados como teria em situação semelhante caso estivesse no Brasil. Voltou para casa a pé com um leve e gostoso frio na barriga, que combinava com o vento que aliviava a noite quente. Ponderou consigo mesmo que essa era uma das graças de estar em fase estudante-viajante, poder deixar de lado os caminhos que não se adequassem à sua vontade. Sacodir a poeira de repente. Mesmo quando fosse só pelo prazer de renovar, para experimentar outras possibilidades.

Ao lembrar de filmes como Amores Possíveis e Corra Lola Corra pensou que vez ou outra faz um bem danado testar os "E SE..." da vida.
Afinal se os próximos parâmetros não se mostrarem tão divertidos, pode mudar tudo. Novamente.

Update (em primeira pessoa):
O pedido de demissão só havia sido formalizado com o gerente do trampo, ontem seria o dia de reportar a decisão ao dono. Um cara que sempre foi educado comigo mas tem fama de ser grosseiro, so just in case eu já chegava munido de algumas respostas prontas. Estando cara a cara, mesmo antes que eu abrisse a boca para cumprimentá-lo, o patrão falou. Disse que já havia sido informado da minha partida e ficava triste pela perda de um bom funcionário, mas estaria feliz por mim se fosse esse o rumo que escolhi. E finalizou sorrindo, brincando que se eu souber de alguém capaz de trabalhar com 20% da minha eficiência, estarei intimado a indicar.

Fiquei meio passado, mas agradeci e retribui os elogios onde cabiam.

Pensando depois concluí que a minha postura vendo aquele emprego como algo temporário e divertido era, ainda assim, mais profissional que a de muita gente que ele encontra por aí. E até senti um pouco de saudade antecipada de equilibrar bandejas cheias de Cosmopolitans no ponto turístico mais famoso da cidade.

Ouvindo:
Bebel Gilberto . Céu Distante



Escrito por Marcio às 06:03 AM
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Reflexões, futilidades e pretensões permeadas por praia, asfalto, drinks e tempero agridoce.

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