Retrovisor

Definitivamente não farei relatórios do ano que acaba. Nada de pesar a mão nas reflexões e listar projetos para 2009. Mesmo porque de cada ano que começa eu continuo esperando a mesma coisa: o período mais incrível so far.

A única mini-retrospectiva cabível é a das sonoridades de 2008,  'cause music is a hot hot sex. Segue abaixo em ordem aleatória.

Cut Copy - Lights & Music (Moulinex Remix) 
Trilha indie australiana para as despedidas pré-Austrália no começo do ano. Be my baby one more time.

Duffy - Ready For The Floor (Hot Chip Cover)
Clap, clap, clap! Ah se todos os covers fossem assim.

Hot Chip - One Pure Thought (Kwes Rework)
Outra faixa da banda por aqui. Se desde que apareceram eles tornaram-se ítem obrigatório, como evitar citá-los?

The Hours - See The Light (Calvin Harris Remix)

Ítem mais recente da lista que eu fiz questão de espalhar para os amigos por MSN. House pop pra chacoalhar sorrindo na pista.

Jamelia - Something About You
Momento cafoninha-romântico. Afinal, apesar dos poréns (e nós sabemos quais são), esse ano mereceu um.

Kings of Leon - Use Somebody
Já ouviu o Caleb cantar? Já viu o Caleb cantar?


Kanye West - Street Lights
Mr. West só faz melhorar a cada trabalho. Pus essa faixa mas poderia ser qualquer outra dele. Música triste e maravilhosa, como quase todo o álbum novo.

Oasis - Outta Time
O Liam escreveu uma faixa (surpresa 1)! E ela é boa (surpresa 2)!

Marcelo D2 - A Arte do Barulho 
Com o CSS lançando um álbum não tão interessante, o novo do D2 virou meu tópico brazuca na lista desse ano. Rap, samba e funk. Três, de uma vez só, sem tirar.

Santogold - I'm A Lady (Diplo Mix feat Amanda Blank)
Nesse mix do Diplo a Santogold soa bem como nunca. RnB estiloso, comedown melancólico, excelente.

Sia - Buttons (CSS Mix)
E no fim das contas  não é que tem CSS na lista? Eles (quer dizer... o Adriano Cintra), deixaram a faixa menos pop e mais pista, meio Annie, meio Let's Make Love, inteira boa.

Finalizando, um apêndice com momentos musicais atemporais que rolaram.

All Night Long do Lionel Richie tocando na festa pós-desfile da Chanel com o staff bebendo champagne e praticamente subindo nas pickups.

Remix do Van She
para Something Good do Utah Saints causando no Parklife Festival.

Sabrina, a amiga egípcia, cantando todos os dias, em todos os cantos, durante duas semanas, Re-Batucada do D2.

Hedonism
do Skunk Anansie. Música velha que, ironicamente, me faz lembrar do amigo querido que partiu esse ano.

Feels Like Home
by Meck. O video passa sempre na academia e tem o mesmo sampler usado pela Madonna na versão-turnê de Like a Prayer. Pra malhar no gás.

A Change Is Gonna Come
, a trilha do Obama, na dica da Páte. Sam Cooke visceral.



Escrito por Marcio às 01:57 AM
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Mais ao sul (adendo)

Apesar de incluir o rolé do segundo dia pela Great Ocean Road nas minhas anotações sobre Melbourne, a real é que essa região fica relativamente afastada da cidade, pedindo algumas horas no carro. O tour toma no mínimo um dia inteiro, mas a estrada que margeia a costa e corta pequenos povoados é maravilhosa, must-see total.

Fizemos o primeiro stop desse passeio em Bells Beach, 100km ao sul da capital. A praia, cujas ondas ganharam fama por constar como uma das etapas do WCT, costuma ter ondas razoáveis. No entanto, quem tiver a minha sorte encontra um mar flat feito lagoa, inadequado até ao imaginário surfístico-iniciante. Independente disso, vale a vista. As areias praticamente desertas cercadas por uma parede de rocha vermelhada compoem uma bela paisagem.

De volta ao asfalto e seguido adiante passamos ainda por Cape Otway, a região do país que mais se aproxima do polo sul. Gelada de verdade, mesmo no meio da tarde e com o sol alto. Um farol solitário cercado de poucas casas se destaca na paisagem. Lembra as fotos da Terra do Fogo que via na Argentina quando morei lá. Algo melancólico.

Mais adiante na Great-marvellous-giant-Ocean-Road, atingimos o destino do tour. Arrebatadora, a beleza da região mais rochosa do caminho não se parece com nada que eu já tenha visto antes. Uma imensa parede de pedra encontra o mar, seguindo pelo horizonte até se fundir com o céu. Nesse trecho da costa ficam os 12 apóstolos (ficavam... pra ser mais exato hoje só existem oito). O nome refere-se às grandes rochas soltas no meio do mar, pedaços das falésias que com a erosão se separaram do resto. Grandes totens avermelhados. Um tour de helicóptero, curto mas super-super, coroou a visita antes do entardecer. Incrível.



Escrito por Marcio às 04:09 PM
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South Side

Amei minha trip por Melbourne e arredores! Não contei aqui? Andei para baixo e para cima por cinco dias acompanhado da amiga cujo calo no pé deve me rogar praga até hoje.

Melbourne é ampla. A primeira impressão é de que tudo é grande, limpo, espaçoso. As ruas são enormes de largas com lugar para onibus, bonde, carro, pedestre, bicicleta e o que mais aparecer. Os bondes aliás são outro diferencial que notei logo de cara, eles não existem em Sydney. Na aparência, espelham o que acontece com a arquitetura da região central. Velho e novo lado a lado. Era comum pegar um vagão novo em folha para ir a um lugar e na volta ser transportado por outro muito antigo (mas super bem conservado).

Mesmo no meio do verão o clima é meio frio, com as manhas geladas e a temperatura subindo gradativamente durante o dia. Eu acordava agradecendo aos céus o edredom enorme que me cobria e pensava comigo que naquela cidade até kebab shop deve ter calefação no inverno. Depois o sol subia e eu esquecia tudo, claro.

Dizem que Melbourne está para Sydney como NY para LA. Como exemplificou um local que puxou papo numa cafeteria: Sydney é mais cênica, mas Melbourne é mais cultural, efervescente, pulsante. Até onde pude conferir fez um certo sentido. A cidade é cheia de museus e exposições, há esculturas em todo canto e intervenções artísticas mesmo em pequenos detalhes. Como numa praça fora da região central onde os inumeros tijolinhos que compunham o piso tinham desenhos e mensagens de crianças.

Passei por essa praça quando seguíamos rumo à Smith Street. A visita rolou sem muitas expectativas, chegamos apenas procurando por uma loja... e encontrando muito mais. Não li a respeito, mas a rua tem cara daquelas áreas decadentes que passaram por uma revitalização recente. Mistura de cafés estilosos, lojas conceituais (qualquer conceito... arte pop, produtos naturais, peças aborígenes, etc), brechós e outlets. Tudo em casarões antigos, dentro do que cabe ser antigo na Austrália. Bem boa.

 

Sobre a vida noturna eu fecho a boca e não digo nada. Não pra esconder o ouro, mas pelo foco da trip. Preferi o dia e o sol, acordando sempre por volta das 7 da manhã. Não sobrava pique para jogações noturnas. Mas diz que bomba.

O CBD é a área mais urbana de Melbourne e fica longe do mar, mas gastando 20 minutos no bondinho chega-se a Saint Kilda, roteiro que fizemos a pé por minha insistência (falei do calo no pé da amiga?). A praia tem uma infra ótima, com um calçadão de madeira lindo que se entorta e abre em níveis diferentes e em certo ponto vira até um ralf para skate. Num complexo a beira mar fica um bar-balada cool onde tomei uma breja e babei pela academia do segundo piso. Que tal correr em esteiras viradas para o oceano, vendo o sol se por no mar? Adoro. E adoro também apreciar a vista dando uns goles na minha Heineken, diante do sol que se despede no mar. Visão que sempre me encanta, talvez por isso ser raro na costa atlântica do Brasil.

O que é mais cool que por do sol no mar, arte aborígene e amplitude urbana, porém, é algo de outra ordem. Para mim e para a Ranni (minha trip partner), o hype da viagem foram as pessoas. Capital humano. Gente muito educada, muito simpática, muito hospitaleira. Da vendedora que deu doces de presente para ela ao senhor que trabalha na estação onde fomos parar ao tomar o trem errado, só pessoas queridas cruzaram o nosso caminho.

Lovely Melbourne.



Escrito por Marcio às 04:04 PM
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See you're, unbreakable, unmistakable, highly capable...

Esses dias ouvi Hey Mama do Kanye West e lembrei de uma pessoa importantíssima na minha vida, que hoje me acordou com um telefonema fofo. Ligou para contar do presente de Natal que me mandou e para agradecer o Cartão de Boas Festas que recebeu.

 

Saudades imensas.



Escrito por Marcio às 01:15 AM
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Peixe grande

Há a possibilidade de se contentar. De, diante das adversidades, acreditar que a vida é assim. Seguir fluxos, reclamar da falta de perspectivas.

 

Existem, afinal, possíveis justificativas. A chuva lá fora, o cansaço depois de um dia longo, a falta de tempo. Há também a desculpa baseada na compensação. Partindo de uma lógica onde dá para dizer que tal ponto é deixado de lado pois o foco no momento é outro, afinal a realidade é feita de prioridades.

 

Mas por que não transcender os conceitos medianos? Será pretensão querer tudo o que há de melhor? É devaneio querer uma carreira bem sucedida E um abdomem tricado E um relacionamento adulto e apaixonado E amizades incríveis E embasamento cultural E jogação-stage-dive, em momentos hedonistas e consumistas quando a excessão se faz válida E conhecer o mundo E ser espiritualizado E ser politizado E muitas outras possibilidades ainda a serem adicionadas à lista?

 

Não. Não quando se faz por merecer, correndo atrás, batendo o pé e lutando. Não para quem considera descabido se contentar com menos do que aquilo que cabe nos próprios sonhos. Nos meus cabe muito. E ainda que a equação nunca se feche com perfeição suprema eu sei que dá para tentar chegar perto. É para lá que eu vou.



Escrito por Marcio às 02:39 PM
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Australia

Nic e Hugh, dia desses, pertinho de casa



Escrito por Marcio às 12:26 AM
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A cidade

No terraço do sexto andar do prédio em Bondi Junction, ao ar livre, deu para ver boa parte da cidade. O alaranjado do fim do dia refletido nos prédios do centro, a ponte, a torre, a região norte se misturando com o horizonte e a imensidão de áreas verdes. Parado ali naquele terraço, embasbacado com a vista, eu me lembrei de como Sydney é linda. Seja do balcão para fora, no skyline de cartão postal... ou do balcão para dentro, onde a academia seguia qualitativamente lotada num final de domingo.

 

Minha irmã diz que ainda falta uma eternidade para que eu volte ao Brasil. Quando penso que essa trip já passou da metade eu sinto o contrário.

 

Saudades antecipadas.



Escrito por Marcio às 02:08 PM
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Amém

Assim como os seguidores de algumas religiões, conheço pessoas que acreditam em mortos em uma dimensão intermediária, espíritos confusos sofrendo em estado de transição. Acho justo (o credo, não o sofrimento). Acho inclusive válido, pois apesar de não cogitar nada disso eu acredito em um mundo com liberdade de crenças, escolhas, expressões.

 

Só digo uma coisa.

 

Não me cutuque dizendo que a alma de uma pessoa querida encontra-se nesse estado pedindo pela minha ajuda. Porque no fim da tarde, quando eu estou correndo ao redor do Wentworth Park sentindo o vento no rosto, eu repentinamente me pego pensando no assunto. E nessa hora eu não fico revoltado nem triste. Apenas cogito comigo mesmo se não deveria deixar um texto da boa conduta para ser usado por pessoas próximas quando eu morrer. Nele eu gastaria uma linha lembrando que jamais esperassem recados meus do além. Dentro do que eu imagino, quando essa história terminar eu ainda existirei espalhado por aí. Serei um pouco terra, ar, água e vazio. E enquanto algum desses elementos existir eu também existirei.

 

A minha forma de ajudar um amigo que partiu é regar as plantas do jardim. Ele considerava a natureza um bem supremo e nisso seguimos em acordo.



Escrito por Marcio às 01:29 PM
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Reflexões, futilidades e pretensões permeadas por praia, asfalto, drinks e tempero agridoce.

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