Hoje um amigo me escreveu perguntando sobre o tamanho do Sneaky Sound System aqui na Austrália, e ao responder acabei citando metade da cena local recente. Cut Copy, Presets, PNAU, Miami Horror, Van She Tech, Empire of The Sun... petardos de musicalidade aussie que deixarão boas e saudosas lembranças quando eu partir.
Ainda que Sampa ofereça deliciosos oasis sonoros (acredito que D.Edge, Glória, CB e afins continuem firmes!), a diferença nas proporções é visível. O synth-pop está para Sydney como o axé está para a Bahia. Aqui, em qualquer pub fuleiro pelo qual se passa no fim da noite quando tudo mais já fechou, você é brindado com trilha sonora de primeira.
Paradoxal, afinal a vida noturna não é lá tudo isso, a cultura de clubs é bem pequena. Nos bons festivais de verão (o V rolou ontem... mas não pude conferir) é que essas bandas encontram a projeção merecida.
Ainda que distante, sempre rola ler e acompanhar um pouco do que acontece no cotidiano do Brasil. Nessas, vendo um pouco da repercussão do novo round do caso da Daslu com a Polícia Federal, encontrei um textinho ótimo que cita Nietzche e resume bastante do que penso sobre o assunto.
Dentro de duas semanas em Phuket, dentro de três em Bangkok, dentro de quatro em Sampa, fechando assim a temporada nesse lado do globo.
Vim para cá por diversas razões, mas principalmente por querer mais. Mais experiências, mais horizontes, contato com diferentes culturas, ver gente que nunca veria de outra forma, encontrar-me em lugares inesperados. Desde que entendi que o mínimo que eu mereço é o máximo da vida isso é o que tenho buscado (e encontrado).
Certa vez uma amiga disse que ao sair do Brasil preferiu viver em Londres pois qualquer destino ensolarado seria mais do mesmo. Comigo ocorreu o oposto. Sempre fui urbano, nascido e criado em Sampa, viciado na sua vida acelerada. Para mim, experimentar o novo seria viver em uma cidade mais easy going. Nada de lugares que conheço (e amo) como Nova Ioque ou Amsterdam, mas sim algo litorâneo, relaxado, diurno.
Minha relação com Sydney foi/é intensa. Como esperava, desde o ínicio fiquei encantado pela plasticidade de tudo. Pessoas, prédios, geografia, conjunto de beleza arrebatadora. Amei as ruas limpas, a praia sempre próxima, os amigos inusitados que conheci vindos das mais diversas partes do mundo. Adorei rodar o país dando uma de mochileiro, fosse acompanhado de amigos ou apenas de um livro e um iPod.
Ao mesmo tempo, diferente do que imaginei, em muitos pontos a maior cidade da Austrália me pareceu pequena, parada demais para mim. Um punhado de vezes me senti sufocado ao ver todo comércio fechar às cinco da tarde e ao constatar que mesmo o mercado publicitário daqui vive em outro ritmo. Apesar da cena eletrônica local influenciar o que rola nas pistas mundo afora me deparei com uma vida noturna mais fraca e menos estruturada que a de Sampa. Isso fora o clima de extremos daqui, indo de um inverno muito chuvoso e geladíssimo até um verão com picos de 47 graus.
Contudo, no fim deu para me divertir e crescer. Os horizontes marqueteiros se ampliaram, assim como o inglês. Aprendi a dividir apartamento, viver sem empregada, cuidar das minhas contas e relembrei os tempos de Argentina ao ter que lidar com a saudade de casa.
So far that’s it. Absorvi tudo o que podia/queria/consegui dessa experiência e agora é hora de ir em frente. Tempo de zapear pela Ásia em destinos que me enchem de curiosidade e ao fim de tudo, aterrissar na minha São Paulo. Pode parecer paradoxal seguir em frente retornando ao ponto de partida, mas a real é que um olhar renovado muda todo cenário.
Zapeando por blogs de música recentemente, encontrei o primeiro single do álbum de estréia do Daniel Merriweather. Mais um protegido do Mark Ronson mandando ótimas sonoridades para meus ouvidos. Achava que sim, mas... não: ainda não enjoei dessa linha retrô cool.
"Al final, de lo único que te vas a acordar, es de las cosas buenas."
O blog deu pau no começo do ano. Eu não conseguia abrir a interface para postar de forma alguma, em nenhum navegador. Fiquei irritado, pensei em migrar o conteúdo para o blogger, não encontrei jeito, acabei deixando minhas divagações online em standby. Andava ocupado com o mundo offline mesmo. Fiz um tour pela costa leste, mudei de subject no curso de marketing, fiz tattoo nova e mais um punhado de coisas que adoraria comentar com mais detalhes se o timming não tivesse passado.
Enfim, uns meses e muitos textos engavetados depois, resolvi passar aqui outra vez e... surpresa! A página voltou aos eixos. Seja como for e pela razão que for, fato é que agora funciona. E assim, no calor da novidade, vou dar mais uma chance ao UOL e atualizar isso aqui, tirando a poeira do blog.
Reativando com sorriso no rosto diante do vídeo fofo que a amiga Lú Iódice me apresentou via twitter. Comercial da Coca-Cola desenvolvido pela McCann-Erickson de Madri.